A LÍNGUA CULTA FICA CURTA. Por Carlos Barros

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A LÍNGUA CULTA FICA CURTA

Por Carlos Barros

 

Recentemente fomos informados a respeito do livro “Por uma Vida Melhor“, um texto já aprovado pelo Ministério da Educação(MEC) para ser distribuído em milhares de escolas do país. Algumas universidades, como é o caso da Universidade Federal do Rio Grande do Norte – UFRN, já deram seu aval. Acredito que a proposta é, de certo modo, revolucionária, um marco no campo da Educação e da Comunicação. Ou seja, o livro é um começo para tentar derrubar certo academicismo, ou melhor, certa língua culta que nos atrela há séculos.

 

Serei um tanto óbvio. No mundo humano, tudo são invenções humanas. Afirmar que alguém fala corretamente ou se expressa erroneamente é uma invenção. Podemos lançar mão um pouco do discurso que afirma que numa sociedade dividida em classes sociais as “vozes dominantes” são as vozes das “classes dominantes”. Podemos suspeitar que essa tal língua correta ou culta se impõe a partir dessas classes? Não pretendo adentrar, nessas poucas linhas, no âmbito de teorias sociológicas ou linguísticas. Que os especialistas desses saberes possam fazer suas próprias interpretações.

 

Evidentemente que não será do dia para noite que vamos conseguir escapar das amarras positivistas e das normas inventadas ao longo dos séculos. Mas o texto aprovado pelo MEC nos permite ver uma luz no fundo do túnel. Ora, quando falei que considero o livro “quase” revolucionário, é pelo fato de restringir minhas considerações no que foi divulgado até o momento. Certamente não sou o primeiro a dizer isto, mas a Internet já vinha dando seus passos “anárquicos” no campo da escrita. A maioria de nós sabe como funciona os diálogos e bate-papos nas Redes Sociais. Só para recordar: você (vc), cadê (kd), também (tb). O resultado final foi o crescimento fenomenal dessas Redes e, especialmente, suas formas de comunicação. Eis aí o ponto: a comunicação.

 

Que a linguagem ou a forma de falar não seja um instrumento de poder. Que a fala e a escrita sejam maneiras de comunicar ao outro como percebo o mundo. Que possamos nos comunicar até mesmo pelo silêncio. Que o outro me fale “errado” as coisas que considero certas para mim. Muitas vezes não precisei ouvir alguém com os pontos, vírgulas e concordâncias colocadas “corretamente”. Escutei falas recheadas de conceitos lacanianos, freudianos e marxistas que não me acrescentaram absolutamente nada. Por outro lado, escutei de dona Isolda, uma senhora analfabeta, coisas que caíram como um diamante num lago. Ouvi do meu pai analfabeto conselhos que mudaram minha vida para sempre. Abraço carinhosamente a ideia do erro. Beijo carinhosamente a boca de toda proposta que possa quebrar paradigmas, correntes culturais e sociais. Que nós possa intender que a comunicação vale muito maais. Que nós possa intender que até um testo ou uma fala dita “errada” nos cumunica algo. Que agente se cumunique até pelo silencio. Pensemos em quem diz o ki é certo ou errado. Depois de ler esse testo, sugiro agente ir num museu de arte abstrata.

 

Por Karloz Barroz


Saberes e Olhares

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