A VINGANÇA DO BULLYNG. Por Carlos Barros

Origem: Wikipédia

A VINGANÇA DO BULLYNG

Por Carlos Barros

Desde a chacina de Realengo (RJ), quando um homem chamado Wellington Menezes matou 12 alunos de uma escola municipal, a visibilidade sobre conceito de Bullyng vem ganhado terreno. Uma das definições mais objetivas que encontrei, e que aqui transcrevo parcialmente diz que: “Bullying é uma situação que se caracteriza por agressões intencionais, verbais ou físicas, feitas de maneira repetitiva, por um ou mais alunos contra um ou mais colegas. O termo bullying tem origem na palavra inglesa bully, que significa valentão, brigão. Mesmo sem uma denominação em português, é entendido como ameaça, tirania, opressão, intimidação, humilhação e maltrato” (Site Nova Escola). Não pretendo me enveredar pelo terreno suspeito do discurso das “verdades” psicológicas e psicanalíticas. Não sinto gozo em ficar categorizando o que é certo ou errado, o que é o bem e o mal. No entanto, sinto-me à vontade para discorrer sobre alguns “achismos” que buscam uma sintonia com outros saberes, especialmente os sociológicos e filosóficos.

 

Não creio que esse “novo” tipo de violência possa estar, de algum modo, relacionado com os ditos “distúrbios comportamentais”, como afirmam alguns técnicos-reducionistas da saúde mental. Certamente a questão é mais complexa. Obviamente que a pretensão aqui não é apresentar respostas pré-fabricadas por certas falas e falácias, mas temos o direito e a “liberdade” de formular algumas perguntas (que talvez nunca sejam respondidas). Instituições como a Família e a Igreja, por exemplo, já não conseguem controlar o novo mundo virtualizado e globalizado? Esses jovens que justificam seus atos, afirmando que foram humilhados e ofendidos, não seriam apenas um aspecto revelador de uma modernidade moribunda? Não seriam os valores morais, inventados pelo sujeito moderno, que estão sendo colocados em xeque?  Não estaria desmoronando a pseudomoralidade que nos fizeram acreditar desde criança? Será que a “maldade” não estaria na invenção de que o Lobo mau era do lado do Mal e que, nesta dualidade, os outros seriam do lado do bem?  Em alguns momentos, não somos um “Wellington dentro do armário”, mas temerosos das punições e castigos oriundos dos que estão ao lado do bem e da ordem? Quem de nós nunca alimentou pequenos ou grandes desejos de vingança? Esses casos de violência não estariam confirmando o que alguns autores escrevem sobre o que seja a pós-modernidade ou hipermodenidade?

 

Arrisco-me não ser bem compreendido com minhas indagações, já que me propus a não lançar pedras sobre protagonista deste cenário de morte.  Afinal, como diz o texto bíblico: “quem não tem pecado que atire a primeira pedra”. Por entender que a Vida é o sentido da Vida, certamente não defendo a eliminação de outro. A intenção é tentar escapar um pouco da superficialidade da ordem do discurso midiático e dos apressados diagnósticos de nossos especialistas da mente. Não posso negar que muitas outras questões sobre esses acontecimentos ainda poderiam ser colocadas neste texto. Aliás, não devemos nos surpreender sobre as repercussões e repetições desse tipo de violência. Outros “Wellingtons” irão emergir, terão o apoio de tribos urbanas e bem informatizadas. A Internet e as Redes Sociais não deixarão de ser uma ótima ferramenta. Mas tal afirmação não seria por demais pessimista ou escatológica? Talvez! Mas, enquanto elaborava este artigo, pude ler a seguinte matéria no UOL/Notícias: “Apologia a crimes como o massacre de Realengo (RJ) ganha força na internet.”. Em outra matéria da Folha.com: “Adolescente vítima de bullying mata colega a facadas no Piauí”.

 

De todo modo, um conceito já foi inventado: Bullyng. É inegável que vai provocar calorosas discussões, especialmente no mundo acadêmico, todos em busca da verdade e da resposta.

Por Carlos Barros

 


 

Saberes e Olhares

Adicione aos Favoritos

This work by Jose Carlos Barros Silva is licensed under a

Creative Commons Atribuição-Uso não-comercial-Vedada a criação de obras derivadas 3.0 Unported License

Marcado como: ,

Classificado em:Artigos, Comportamento

1 Resposta »

  1. Concordo plenamente Doutor, a questão não é tão simples, realmente o buraco é bem mais embaixo, muito pertinentes suas perguntas. O ser humano é muito complexo! Acho um tanto irresponsável as avaliações e julgamentos superficiais. Seus textos nos convidam à reflexão! Obrigada!

Obrigado por sua visita. Seja sempre bem-vindo!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Fim do Mundo

Quanto tempo duraria uma Guerra Nuclear

Catástrofes do Fim do Mundo

Cinzas na Lua

Marte destrói Lua

Lua de Sangue e a Profecia do Fim do Mundo

🔴NOSSO MEDO DO APOCALIPSE, CIÊNCIA E RELIGIÃO

%d blogueiros gostam disto: