RELIGIOSOS E HOMOAFETIVOS: Considerações. Por Carlos Barros

religião e homoafetividade

RELIGIOSOS E HOMOAFETIVOS: Algumas Considerações

Por Carlos Barros

Há pouco tempo, foi divulgada na maioria dos sites de notícias a foto de duas atrizes se beijando na boca. Era uma cena de novela. Acredito que a emissora não estava muito preocupada com questões de ordem cultural ou buscando dissolver certo tabu sexual relacionado ao amor entre pessoas do mesmo sexo. Seria muita ingenuidade supor que boa parte dos espectadores não está informada da batalha pelos índices de audiência. Do grotesco ao singelo, o que importa é o “IBOPE”.

De qualquer forma, coincidência ou estratégia midiática, o fato é que a sequência foi transmitida num importante momento histórico do Brasil: a “aprovação” pelo Supremo Tribunal Federal – STF da união gay. Gostaria de expor, em poucas linhas, algumas reflexões e desdobramentos dessa decisão. Num primeiro momento, nos parece inegável o avanço e o alcance de tal deliberação que foi resultado, certamente, de um conjunto de fatores, especialmente da incansável luta dos movimentos homoafetivos organizados. Porém, as questões em que “o buraco é mais embaixo” não se resolvem da noite para o dia, não se deliberam por decreto ou canetadas institucionais de um grupo de juízes. Os homossexuais ou homoafetivos, não importa o nome, continuam sendo sujeitos estranhos para alguns segmentos da nossa sociedade emergente, pós-moderna e hipócrita. As reações de alguns segmentos religiosos contra a decisão do STF foram exaustivamente noticiadas, algo que, de certo modo, não deve nos surpreender, pois a moral cristã desde séculos estigmatizou o amor entre pessoas do mesmo sexo.

A mídia nos deu o que falar sobre as ferrenhas disputas no âmbito do Parlamento entre os deputados a favor e os contra a decisão e aprofundamento da união gay e, ao mesmo tempo, da criminalização da homofobia. Brigas e palavrões entre os cristãos e os hereges do Congresso Nacional foram emblemáticos. Não pretendo cair na armadilha do dualismo entre o bem e o mal. Não escrevo em favor dos que se amam independente da genitália, não escrevo aqui contra os cristãos e sua moral secular. Escrevo em nome da tolerância com os diferentes. Escrevo contra os que, em nome do amor, perseguem os que querem se amar. Escrevo em prol da convivência e respeito com o outro, quer seja na esfera da sexualidade ou das formas de perceber o mundo.

Não há guerra santa ou profana. Guerra é guerra! É eliminar o inimigo, é fazer prevalecer o olhar de um grupo que se compreende portador da verdade e de valores universais. Difícil calar diante da tentativa de excluir os diferentes. Difícil silenciar perante as estratégias do nosso mundo racional e da hipocrisia de uma sociedade que busca demonizar os “estranhos”. Difícil ser indiferente ante uma sociedade que tenta patologizar e suprimir os que não se encaixam na ordem. Eis uma tarefa árdua. Fica uma sugestão para começar nosso exercício de escapatória de uma visão dualista que divide o mundo entre o bem e o mal, entre o bom e o ruim: que possamos olhar e aprender um pouco com os animais que chamamos de irracionais.

Por Carlos Barros


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3 Respostas »

  1. Carlos. Não discordo do que vc escreveu em relação as cenas da novela, pois realmente foi muito mais uma busca desenfreada por ibope. Mas para além desse fator, foi muito boa a questão de como foi retratada a relação homoafetiva na novela. Não foi de forma caricaturada como a rede globo sempre nos proporciona, mas de uma forma mais sutil. Buscando mostrar que o sujeito/cidadão seja ele gay/hétero tbm ama, sofre, luta, enfim é igual a tod@s as outras pessoas. E quanto a seu posicionamento muito bom, nos fazendo refletir sobre esse dualismo tão presente em nossas vidas.

    • Olá Ednaldo. Concordo plenamente contigo. Espero que um dia possamos tratar as pessoas com tolerância total. Acredito que a luta – dos homoafetivos, das mulheres, dos negros e de todos aqueles que sofreram com o preconceito e todo tipo de violência – será vitoriosa. Para isso, continua sendo fundamental a organização e união de todas essas categorias. Gostaria de agradecer sua visita e comentário. Volte sempre. Grande Abraço. Carlos.

  2. Devemos desconfiar de quem luta contra os movimentos homossexuais. Frazier Glenn Miller e Alan Chambers se esconderam na sombra da mentira para, anos depois, a verdade vim a tona.

    Parabéns Carlos Barros.

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