A MORTE DO SENHOR BIN. Por Carlos Barros

Osama Bin Laden

Osama Bin Laden

A MORTE DO SENHOR BIN

Por Carlos Barros

Não faz muito tempo. O assunto era o casamento do Príncipe William. A família Real inglesa era o foco das atenções. Por onde passei alguém comentava a respeito do emblemático evento monárquico. Deu o que falar. Logo em seguida chega aos nossos ouvidos e olhares a beatificação do Papa. Não deu muito que falar. Afinal, tratava-se de santificar um velhinho líder da Igreja Católica, um morto cujas imagens do caixão e quase exumação nem de longe poderiam ofuscar a pompa de uma monarquia que sabe muito bem utilizar a mídia para seus espetáculos. Por um momento acreditei que o casamento do Príncipe duraria pelo menos mais algumas semanas nas primeiras páginas dos jornais e em nossas conversas cotidianas. Fui ludibriado mais uma vez pela liquefação das notícias.

Poucos dias depois fomos surpreendidos com a divulgação da morte, ou melhor, da execução de Osama Bin Laden. Emissoras de televisão, redes sociais na Internet e conversas em botequins tratavam de um único assunto: a morte do líder da rede Al-Qaeda. Não pretendo adentrar aqui em questões sociológicas e midiáticas, embora tais questões estejam entre as linhas deste texto. Gostaria apenas de expor certo mal-estar pela facilidade com que somos levados pelas ondas do discurso midiático e pela espetacularização dos fatos.

Embarcamos de olhos bem vendados na fala do outro. Assim sendo, não fica difícil lançar mão dos nossos conceitos, pré-conceitos e juízos de valor. No caso de Bin Laden foi ainda mais fácil navegar nesta onda do discurso dualista. Não demorou em chegarmos à conclusão: ele era um símbolo domal e como tal deveria ser eliminado. Há muitos anos temos escutado sobre quem seria o principal bode expiatório dos atentados terroristas. Nosso imaginário social já estava devidamente saturado para entender e aceitar a máxima: “olho por olho dente por dente”. Quem matou precisa ser morto. Essa sempre foi percepção do alto escalão do governo americano. E assim aconteceu, de acordo com nossas “confiáveis” fontes de notícias. Osama Bin Laden, depois de anos de caçada, foi encontrado e sumariamente executado. Festa e comemoração nos Estados Unidos da América.

Mas deveríamos nos autocriticar pela satisfação de ver um bandido morto? Afinal, somos pós-modernos, sujeitos contraditórios, incoerentes, medrosos, individualistas, devoradores do supérfluo e consumidores obedientes de tudo que seja descartável. Mesmo que possamos resistir em afirmar que somos tudo isso, não escaparemos da nossa sombra que nos denuncia, das nossas opiniões engorduradas de valores pré-modernos. Somos juízes e demonizadores do outro.

Morte ao senhor Bin. Que sejam mortos todos os terroristas. Que sejam massacrados os chefes do tráfico no morro do Alemão. Que seus corpos fiquem expostos ao público. Que todos os estranhos ameaçadores da nossa doce paz e segurança sejam eliminados. E o discurso que todo homem tem direito à vida? Creio que a resposta está naquilo que acabamos de refletir. Somos civilizados, somos superiores aos animais, pois eles não sabem o porquê de eliminar o outro, nós, ao contrário, sabemos e justificamos.

Por Carlos Barros


Saberes e Olhares

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