Matéria – Revolução digital contra a fome mundial

Bill Gates defende revolução digital contra a fome mundial

Gates e José Graziano, diretor-geral da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação)

 

Gates e José Graziano, diretor-geral da FAO (Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação) O fundador da Microsoft, Bill Gates, convocou na quinta-feira (23) uma “revolução digital” para aliviar a fome no mundo por meio do aumento da produtividade na agricultura, com a utilização de satélites e variedades de sementes manipuladas geneticamente. “Precisamos pensar a sério sobre como começar a tirar vantagem da revolução digital que está levando inovação, inclusive, às fazendas”, afirmou o bilionário filantropo americano em um discurso na agência de pobreza rural da ONU, o IFAD, em Roma.

“Se você se importa com a pobreza, você se importa com a agricultura. Acreditamos que seja possível pequenos agricultores dobrarem e, em alguns casos, triplicarem sua produção nos próximos 20 anos preservando a terra”, afirmou Gates. Ele deu como exemplo de inovação a manipulação genética que permite que produtores de mandioca na África prevejam como suas mudas vão se desenvolver, diminuindo o tempo que leva para uma nova variedade crescer –de dez para dois anos.

Outro desenvolvimento-chave é o uso de tecnologia de satélite desenvolvida por departamentos de Defesa para documentar dados sobre terras, assim como vídeos informativos de agricultores discutindo as melhores práticas para ajudar os outros. “Se não fizermos isso, vamos ter uma exclusão digital na agricultura”, afirmou.

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Gates também defendeu a utilização de organismos modificados geneticamente no mundo em desenvolvimento e os investimentos de longa escala em terras cultiváveis realizados por Estados estrangeiros no mundo em desenvolvimento –ambos temas muito controversos. “Você deve sair e conversar com pessoas que plantam arroz e perguntar se elas se importam com o fato de aquilo ter sido criado em laboratório quando seu filho tem o suficiente para comer”, disse a repórteres em uma pequena coletiva de imprensa após o discurso.

“A mudança na forma na qual a humanidade vive nos últimos séculos é baseada na adoção de práticas de inovação. e nós simplesmente não fizemos muito por aqueles com grandes necessidades para trazer essas coisas”, afirmou. Na questão dos investimentos na terra, a que seus críticos se referem como “grilagem”, ele disse: “Não é atualmente possível pegar a terra. As pessoas não colocam isso em barcos e levam de volta para o Oriente Médio”.

“Se pudéssemos ter orientações claras, poderiam ocorrer mais acordos de terra e, em geral, isso poderia ser muito benéfico… A verdade é que a pessoa que está mais em risco em um acordo de terra é a pessoa que está colocando seu dinheiro no negócio.” Gates também disponibilizou US$ 200 milhões em novas doações de sua fundação para financiar a pesquisa de um novo tipo de milho resistente à seca, para uma vacina para ajudar os criadores de gado e para um projeto para a formação de agricultores.

“Investimentos em agricultura são as melhores armas contra a fome e a pobreza”, disse, acrescentando que sua organização de caridade comprometeu US$ 2 bilhões para agricultores e está trabalhando em sete colheitas e em uma vacina para gado. Gates pediu a criação de um novo sistema de “indicadores públicos” para os países em desenvolvimento e para as agências de alimentos da ONU que mediriam coisas como a produtividade na agricultura, a habilidade de alimentar famílias e os sistemas de educação de fazendeiros.

“Quando eu me encontrar com um líder africano, eu adoraria ter o cartão de indicadores. Eu tenho um desses cartões para a saúde… Sem um cartão de indicadores, os doadores tendem a promover coisas de curto prazo orientadas pela moda”, disse à imprensa. O pioneiro da tecnologia também criticou o trabalho das agências de alimentos da ONU em Roma: a FAO (Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura), o Programa Mundial de Alimentos, e o IFAD (Fundo Internacional para o Desenvolvimento da Agricultura).

Ele afirmou que o atual sistema de ajuda para a alimentação e a agricultura está “ultrapassado e ineficiente”, com um monte de “duplicações”. Para esses organizadores avançarem para o mundo digital, levará “muito tempo”, acrescentou. Quando perguntado sobre a necessidade de reformas mais amplas no capitalismo para ajudar os pobres, ele disse: “Como você se livra dos excessos, incluindo as pessoas de finanças que recebem esses enormes salários, sem ferir as coisas benéficas?”.

E acrescentou: “Gostaria que operadores de Wall Street fossem embora… e trabalhassem com milho e utilizassem seus modelos matemáticos para olhar para o fenótipo versus genótipo. É claramente imperfeito, mas é o melhor sistema que temos”. Fonte/Créditos: Folha.com


Saberes e Olhares

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