A VIDA. Por Carlos Barros

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A VIDA

Autor – Carlos Barros

Vida que pulsa. Pulsão de Vida. Potência de Vida. Vida no âmago da Vida. Abstrata. Indefinível. Definições da Vida escorrendo entre os dedos. Vida mental, biológica, espiritual. Vida humana. Vida animal. Os saberes e as religiões da Vida. Fé na Ciência. Crença na Vida Eterna. A morte como salário do pecado. A Vida como recompensa dos santificados.

Falas e falácias acerca da Vida. Seu início. Seu fim. Especialistas da Vida.O pluralismo da Vida. Pública e privada. Vidas nas mãos do poder. Vidas controladas, numeradas, documentadas, normatizadas. Vidas secas num mundo líquido. A vida que mais valia já não vale. Famintos de comida, sedentos de vida. Os que matam para viver. Os que vivem para matar. Os que clamam por suas vidas ante o algoz. Os condenados à morte pelo poder jurídico. Olho por olho. Hipócritas de Estado vomitando em nome da Vida. A Vida dos que choram, dos que lutam, dos que imploram pela Vida. Paredões ensanguentados. Corredores da morte. Homens que respiram, transpiram e suspiram pela Vida. Saudosos da Vida perdida. Arrependidos pelas Vidas arrancadas.

Vidas terminais. Hospitalizados, drogados, dopados. Cercados por máquinas de salvar Vidas. Vidas por um fio. Clamando aos céus. Fé no poder médico. A insustentável dureza da terminalidade. Hora da barganha, da promessa, da revolta contra os deuses. Esperança de viver. Esperança que insiste com a Vida.

A supremacia dos que banalizam a Vida do tempo e o tempo da Vida. Vivendo do passado. Sonhando com o futuro. O presente não vivido. Humanos dominados pela incerteza da futura Vida. Paradoxos dos que procuram sentido na Vida. A indomável busca do sentido que mata em vida. Torturados pela miragem do sentido da Vida. Não percebem a Vida atravessando seus corpos. Enigma. Dialética existencial. A Vida é o sentido do corpo. O corpo é o sentido da Vida.

Eis que o vírus do tédio penetra os espíritos mais lúcidos. Deixam-se tomar pela cegueira do pessimismo. Os mortos em Vida. Matam o próprio corpo. Nasceram mortos. Vivem mortos. Mortos-vivos que não enxergam a dádiva da natureza. O prazer em extirpar sua Vida em nome de outra vida. De uma vida imaginada, projetada. Vida sem dor, sofrimento, solidão, tristeza. Os póstumos não percebem que a Vida é tragédia, comédia, invenção, devir.

É chegada a hora de calar. Das montanhas, das florestas e dos desertos surgem os animais cantando o mais belo dos cânticos: A única certeza da Vida é a Vida!

Autor – Carlos Barros


Saberes e Olhares

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