O FIM DO MUNDO OU DO JUÍZO FINAL. Por Carlos Barros

O FIM DO MUNDO OU DO JUÍZO FINAL

 

Por Carlos Barros

 

 

O Juízo Final - Michelangelo di Lodovico BuonarrotiTeorias sobre o fim dos tempos, falar que o mundo vai acabar deixou de ser uma novidade. Teorizaram e falaram tanto, que mesmo alguns religiosos já observam com certa desconfiança o “boato escatológico”, mesmo quando noticiado pela mídia ou amplamente divulgado na redes sociais. Historiadores, antropólogos e sociólogos que estudam as religiões não desconhecem esse discurso acerca do “Grande Apocalipse”, do “Juízo Final”. Porém, não podemos esquecer que o discurso escatológico cristão ainda é hegemônico no mundo ocidental e, sendo assim, as profecias que discorrem sobre o Juízo Final são bem acentuadas.

Foi divulgado que um grupo evangélico estaria anunciando o fim do mundo para o dia 21 de maio de 2011. Vejamos um trecho da matéria: “O grupo cristão evangélico americano Family Radio comprou dezenas de outdoors nas principais cidades dos Estados Unidos e Canadá para anunciar que o Dia do Juízo Final será no dia 21 de maio…” – Folha.com. Ao chegar a data prevista, nada aconteceu. Tempos depois, outra “profecia” aparece na mídia: O Juízo Final será em 21 de outubro de 2011! Vejamos um trecho da matéria publicada no Globo.com: “…O pregador evangélico Harold Camping, que ficou mundialmente famoso ao “prever” o fim do mundo para 21 de maio passado, afirmou que o “Dia do Julgamento” deve ocorrer nesta sexta-feira, 21 de outubro…”

O tempo passou, o sol continua brilhando sobre a terra. O mundo não acabou e muitos ficaram aliviados. Mas, novamente, estou aqui refletindo e escrevendo sobre as mais recentes profecias escatológicas, dessa vez oriundas das interpretações do calendário Maia. E, como um raio, a notícia caiu nas redes sociais e na Web. De acordo com as teorias, o mundo acaba em 21 de dezembro de 2012. Um pouco diferente do que aconteceu em 2011, a profecia parecia mais “sólida”, de tal modo que a própria NASA teve que embarcar nas discussões. Vejamos um trecho da matéria publicada na Revista Galileu intitulada “Cientista da Nasa explica por que o mundo não vai acabar em 2012”: “…Yeomans explica que toda essa comoção em volta do dia 21 de dezembro de 2012 começou com o calendário Maia, que terminaria neste dia. Mas, segundo o cientista, o que está indicado no calendário é o fim de um ciclo e o início de outro, não o apocalipse…” Devo revelar que, ao digitar esta última linha, meus olhos se voltaram para o calendário. Caso a NASA esteja errada e a profecia realmente se cumpra, falta pouco tempo. Um tempo insuficiente para que todos possam se preparar para esse grande e derradeiro momento.

Que possa ficar claro ao leitor! Não escrevo aqui para julgar a fé de ninguém. Por que julgaria? Nossa sociedade tão civilizada e racional emergiu sustentada em muitas promessas, para não dizer “profecias”. A burguesia emergente acreditava estar saindo da Idade das Trevas para ingressar no paraíso onde só deveria resplandecer a verdade, onde a Razão seria o único e eterno deus. Quantos não teorizaram e profetizaram depois o fim do capitalismo? Quantos não acreditaram no discurso nazista de um império de mil anos? Quantos não acreditaram no advento de uma sociedade socialista e igualitária? Quantos não acreditam que o governo americano mata em nome de Deus e da democracia? Deixo estas indagações para um breve exercício de reflexão. Não pretendo adentrar no vasto e movediço campo histórico e sociológico. Desejo apenas enfatizar que o discurso do fim do mundo não é monopólio do cristianismo ou de outras religiões. A modernidade foi também escatológica em suas previsões futuras.

Outro ponto que não podemos deixar de lado é o fato que vivemos ainda numa sociedade permeada pela Razão. Inventaram a ideia da prova e nós embarcamos nela. Ou seja, muitos ainda têm um pé na fé e outro na prova científica. Quem pode provar que o mundo termina em certa data? Eis a questão! Para os que acreditam que o Juízo Final é uma realidade próxima, nada poderá abalar essa fé. Para os que não acreditam, fica o sorriso da dúvida metódica e os planos para o futuro aqui na terra. A meu ver, se o mundo vai acabar ou não, pouco importa para os que gozam sua potência de vida em cada instante da existência.

Por Carlos Barros


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3 Respostas »

  1. Esse é um tema tão controverso que é muito mais um apelo da mídia do que crença das religiões. Por que será que ao divulgar essa hipótese esses líderes, até então anônimos e sem credibilidade nenhuma, começam a dar entrevista em jornais e revistas e palestras em lugares que jamais iriam se permanecessem no anonimato? Na maioria dos casos eles falam em seu próprio nome ou no de entidades particulares. Cumprindo-se ou não sua “profecia”, o que importa é que o seu principal objetivo foi alcançado.

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