A MORTE É UM ESPETÁCULO: o poder da sacralização ou a sacralização do poder. por Carlos Barros

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A MORTE É UM ESPETÁCULO: o poder da sacralização ou a sacralização do poder

 

A morte sempre foi um enigma, especialmente no discurso filosófico e religioso. Como acontecimento misterioso e desconhecido, a morte é temida e transformada em tabu em nosso mundo contemporâneo. Todavia, a morte se apresenta como algo paradoxal que, muitas vezes, produz comportamentos contraditórios nos vivos. Se por um lado assustadora, por outro, sedutora, curiosa e santificadora de mortos.

Sempre haverá o que dizer sobre a morte, mas serei sucinto sobre as questões que envolvem esta libidinosa relação entre política, mídia, morte e mortos. Uma relação que história demonstra não ser nenhuma novidade nas práticas humanas.

Nos últimos dias, fomos surpreendidos com a notícia da trágica morte do presidenciável, Eduardo Campos. A mídia foi tão ruidosa quanto o estrondo da explosão do avião que matou sete pessoas. Testemunhas do acidente, detalhes sobre a “pulverização” dos corpos, investigação das possíveis causas foram alguns dos ingredientes que, mais uma vez, transformou a morte num espetáculo midiático. Espetáculo que teve seu auge com o funeral de Eduardo Campos. Em diversos ângulos, a emoção, a tristeza e o luto coletivo foi destaque.

Faltando poucas semanas para as eleições, muitos políticos viram a oportunidade de lançar mão do poder da morte e da sacralização do morto para angariar votos. Toda a emoção coletiva deveria ser bem canalizada, especialmente para o partido político de Eduardo Campos. A política da sacralização entra em cena. Setores da mídia transformam-se em mediadores entre o morto e os eleitores. Antes mesmo do enterro dos restos mortais do ex-presidenciável, pesquisas começaram a ser feitas no calor da emoção. E o resultado não poderia ser diferente, pois a morte tem efeitos de poder. O quadro eleitoral mudou repentinamente.

Este poder da morte por meio da sacralização do morto é bem notório. E os políticos profissionais e a mídia do espetáculo sabem utilizá-lo como estratégia, particularmente em tempos de eleição.

Como escrevi acima, não serei exaustivo, pois a Internet é um espaço de poucas letras, porém, um campo amplo de reflexões. Eis aí o meu principal propósito: uma reflexão acerca das nossas representações da morte e seus desdobramentos no campo político.

Autor – Carlos Barros

 

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